#13 DEVOCIONAL - AMIGOS

 

“O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom”.
Jó 34:4

"Então, aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era justo aos seus próprios olhos. E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus. Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos; porque, não achando que responder, todavia, condenavam a Jó".
Jó 32: 1-3.

Existem momentos em nossas vidas, nos quais as adversidades e sofrimento pelos quais passamos são tão doloridos, e ter alguém para nos confortar e dividir essa dor é encontrar refrigério em meio ao caos.

No livro de Jó vimos à relação de amizade vivida por ele num momento de extremo sofrimento. Embora seus amigos tenham ficado ao seu lado durante sete dias, calados, apenas oferecendo a presença amiga, tudo mudou pela falta de sabedoria em conforta-lhe com as palavras.

A história de Jó nos é conhecida. Passou pela perda de tudo que tinha, sua família, os bens materiais que o faziam um homem de excelente posição social e também foi acometido de uma enfermidade grave. Naquele momento, ter com quem compartilhar a angústia seria ótimo. Quando os amigos resolveram dizer algo, cometeram o erro de achar a resposta para o sofrimento de Jó era tendo algum pecado por ele cometido. O resultado não foi consolo e ajuda, mas sim, perturbação e desânimo. Bom seria se tivessem permanecidos calados como nos primeiros sete dias. Ser amigo também é ouvir.

Ofereceram explicações baseadas no que eles achavam, e não na verdade de Deus.
Inúmeras vezes fazemos o papel dos amigos de Jó, e em vez de nos calarmos diante do que não compreendemos, buscamos justificar o sofrimento alheio colocando peso de culpa e julgamento contra as pessoas, julgando segundo o nosso pensar.

A vontade de Deus é perfeita, boa e agradável (Rm 12:2). Podemos não entender certas coisas que acontecem, mas a nossa fé e confiança no Senhor e no seu propósito em nossa vida não pode ser abalado.

Eis que em meio a tanta confusão, surge Eliú, embora numa época em que os mais velhos eram considerados os mais sábios, o jovem Eliú fala a Jó e seus amigos as palavras vindas da parte de Deus. Eliú estava zangado com Jó porque, à medida que o debate se desenrolava, Jó parecia cada vez mais resoluto na tentativa de justificar a si mesmo, mais que a Deus. Com tudo isso vimos que Jó tinha amigos, mas nem sempre os amigos são os melhores conselheiros.

A Palavra de Deus nos orienta sobre a escolha e o tratamento dos nossos amigos. Amigos têm muita influência em nossas vidas: “O justo serve de guia para o seu companheiro, mas o caminho dos perversos os faz errar” (Pv 12:26). Por esse motivo, a escolha de uma amizade é assunto de grande importância: “Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau” (Pv 13:20). No final de contas, nossas escolhas não envolvem apenas pessoas, mas decidem a nossa direção na vida e na eternidade.

É fácil escolher mal. Muitas pessoas que não amam a Deus e não respeitam a Palavra Dele nos oferecem a sua amizade. Às vezes, podemos influenciar tais pessoas pela nossa fé e o exemplo de uma vida reta. O próprio Jesus fez questão de ter contato com pecadores, oferecendo-lhes a Palavra eterna da salvação (Lc 15;1; Mt 9:10-13). O perigo vem quando não confessamos a nossa fé no meio de uma geração perversa (Mc 8:38). Ao invés de conduzir outros a Cristo, deixamos as más influências nos corromperem, o que não devemos nunca deixar acontecer.

A Palavra de Deus nos aconselha sobre as responsabilidades de companheiros fiéis. “Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe” (Pv 27:10), “O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos” (Pv 15:30), Amigos verdadeiros não são interesseiros, mas aqueles companheiros fiéis que ficam nos bons tempos e nos maus: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (PV17:17).

Terminando, no capítulo 38, Deus fala mostrando seu poder e majestade e pede que Jó se lembre desses fatos e de quem Deus é. Jó se arrepende. Jó, o homem que pensava conhecer Deus passa a dizer: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42:5 e 6). Depois de Jó se arrepender, Deus ordena que ele ore pelos seus amigos. Deus o torna novamente próspero e lhe dá em dobro tudo que possuía (Jó 42:10).

A obediência de Jó e a intercessão pelos seus amigos nos mostra que temos que orar por todos aqueles que nos causam dor. Ore por seus amigos e por aqueles que se dizem “amigos” e peça a Deus amizades segundo a vontade Dele.

Por Angela Harder
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